terça-feira, 12 de novembro de 2013

A dor de existir

A gente chega ao mundo entre a dor, a força e os transbordamentos de um corpo. O corpo que nos abrigou desde que ainda éramos faísca e emprestou sua energia para que o nosso próprio pudesse se formar. Inaugurando a nossa existência, ganhamos também esse presente: ter um corpo. É porque temos um corpo que podemos sentir. Sentimos o cheiro das coisas, o gosto, se arranha ou se é de veludo, se tem cores demais ou de menos. Você já está fazendo essas descobertas. Mas é porque temos um corpo que também sentimos a dor. As dores das cólicas de quem ainda se acostuma ao alimento, ainda inaugura os contatos da pele, ainda constrói as suas primeiras defesas. Não é um processo fácil, minha sobrinha. É, sim, muito doloroso - eu entendo quando você me diz no seu choro. Tento te acolher nos meu braços de primeira viagem, mas você me conta mais forte, me conta mais alto. Aí peço socorro ao seu pai e à sua mãe, que já entendem melhor das suas dores. É lindo ver o Bruno dançando com você no colo e a Helô te segurando pertinho do peito, pra você sentir o calor. Os carinhos que fazem as dores passar. Mas às vezes elas teimam, voltam, te trazem um desassossego. Se a gente pudesse, botaria todas pra correr num pé só: te saber sentindo dor nos faz sentir uma ainda maior. Mas o que acontece é que elas fazem parte dos processos da vida, da dor de barriga de comer brigadeiro à dor da despedida que aperta o coração. Passaremos pelas dores em muitos momentos, e a cada vez vamos mudando, para recebê-las de outra forma quando precisarem voltar. Estamos sempre inventando um novo corpo. Mas se ter esse corpo é o que nos faz passar pelas dores, que presente de grego, não é mesmo? Esse corpo, no entanto, também te guarda lindas surpresas, tantas sensações e sentimentos bacanas que você já começa ou ainda vai experimentar. Você tem sossegado no balançar, nas músicas que colocam pra você ouvir (da melhor qualidade), nas cantaroladas, no tititi das conversas, no estalo do beijo, na vozinha calma, no carinho no pé e na barriga. Vejo seus pais descobrindo esses jeitos, jeitos de te ajudar a passar pelas dores. E fique tranquila, elas vão passar.

Com amor,
tia Lu

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A gente

Esses dias nos conhecemos de pertinho. Você estava dormindo e assim esteve por toda a tarde. Mas seu sono foi embalado pelas conversas de família, aquelas que você gostava de ouvir quando ainda morava nas nuvens. E cada um de nós ganhou um momentinho contigo, te embalando nos braços enquanto deixava escapar um sorriso pra foto. Os barulhinhos de bebê, os sorrisinhos que você também deixava escapar - apaixonantes. E cada um foi arrumando um jeito de te receber. Eu olhei, quis treinar antes, mas não era preciso, a gente se acomoda. Você se acomodou, e percebi que quando acalmei meu respirar, você foi se acalmando junto. E ficou ali, quietinha. E quietinhas, conversamos. Te contei do dia, do quintal que dá pra ver da janela, das flores, da gente. Tão bom de ter pertinho.

Com amor,
tia Lu

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Os começos

A vida é toda ela feita de chegadas e partidas. Estamos a todo tempo nos despedindo de algo e inaugurando começos, fazendo e refazendo. O nascimento talvez seja a primeira experiência em que passamos por essas refeituras, e você, minha sobrinha, experimentou essa descoberta no dia 25 de setembro de 2013, quando o cantinho quente e sob medida onde esteve por esses nove meses deu lugar ao mundo. Essa chegada é grande um espanto. De repente frio, sem a gente nem saber o que é frio ainda, e o ar entrando pelo nariz, e alguém nos segurando de cabeça pra baixo, e o espaço pra esticar os dedos, sem a gente entender direito que eles fazem parte da gente. Mas chegam então outros aconchegos, nos braços da mamãe emocionada e do papai desajeitado que nos mostrava você pela janela de vidro do berçário. Você é uma miudeza, Camille, a mais linda de todo o mundo. E daquele rostinho miúdo se abriram dois olhinhos vivos e curiosos, que lutavam contra a luz para nos conhecer. Seja bem-vinda, eu disse, baixinho, desse baixinho que sempre alcança o lá longe. O papai inaugurando o colo de pai, a mamãe inaugurando o peito de mãe. Você mama à beça, me contaram. E toda vez que me contam de novo (a gente repete as notícias e sorri como se nunca tivesse ouvido) eu imagino você experimentando essas outras descobertas: a fome, a saciedade, o gosto, o cheiro, o contato, as percepções. O tudo novo no mundo. E do outro lado, seus pais e o primeiro banho, a primeira preocupação, as primeiras noites sem dormir, o ir construindo aos poucos isso que é ser pai e mãe. Enquanto nós te esperávamos no café da maternidade, ficamos lembrando das histórias de quando éramos pequenos. Parece mentira, mas a gente sobrevive - e ainda dá muitas risadas! Não conto todas pra não te dar ideias que vão me matar de preocupação, mas daqui a uns anos é capaz da gente estar lembrando das suas histórias e também dando muitas risadas. Das suas, das de seus pais, das nossas, que também estamos aqui, inventando o que é ser tia, ser primo, ser vô, ser bisa. Você nos ensina? 

Com amor,
tia Lu

obs: quando seu pai nos ligou dizendo estava chegando a hora, veio um carro de Friburgo recolhendo gente, e aperta daqui e de lá e cabe mais um. E chegando, encontramos mais abraços, mais histórias, mais sorrisos, mais gente pra compartilhar a ansiedade. E então liga pra quem lá longe poder estar mais perto. E os laços que nos uniam, a todos nós, ali ficaram mais fortes. Sua espera aconteceu num clima tão bom que, de todos os lugares do mundo, a gente preferiria estar ali. Família.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Tempo

Pode ser amanhã, ou sexta, mas do fim de semana não passa, nos disseram. Você chega logo. Mas fique tranquila, Camille, o tempo é mesmo um mistério. Às vezes ele é um sopro, que quando se faz sentir aí então que já acabou. Às vezes um vento, que passa e movimenta o que estiver no caminho. Tem também aquelas em que ele encontra uma paisagem bonita, um banco de praça e resolve ficar parado, apreciando, enquanto tudo mais acontece. O tempo pode passar como um vagão atrasado de metrô ou pode durar a eternidade de uma noite de sono. E o mais incrível é que ele consegue fazer tudo isso caber em nós, porque cada coisa tem seu tempo. E quando for o seu, quando você sentir que for o seu tempo, pode chegar. E seja bem-vinda.

Com amor,
Tia Lu

obs: não deu tempo de publicar esse texto antes da sua chegada :) 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Nuvens

Camille, você está quase chegando. Aquela sementinha miúda que você foi um dia ganhou tanto espaço que quase já não cabe na barriga da mamãe. E de tanto crescer, foi ocupando, um a um, o coração de todos nós. Como pode a gente amar tanto alguém que ainda não conhece? Mas eu vou te contar um segredo: acho que a gente já se conhecia. Você morava numa dessas nuvens de algodão do céu de janeiro, e de lá passava o tempo espiando a vida por aqui. Tem muita gente que não sabe disso, mas as histórias que contamos flutuam como balões de ar e chegam até as nuvens. Aí um dia você cismou que queria vir. Você quis ouvir as histórias de perto, e pra nossa sorte, nos escolheu. Não teve anjo que te convencesse do contrário. Então foi chegando quietinha, e ali ao lado ficava, principalmente nos almoços de domingo onde todo mundo se reunia, porque nesse dia era um falatório só. A casa cheia e alegre. E numa dessas conversas, você escutou que já estava na hora dos velhotes serem avós. Pronto, era o que precisava: você ficaria por aqui. Mas ainda sentia uma falta danada de lá. Aí o Bruno e a Helô pegaram o carro, subiram, subiram, subiram até encontrar o lugar certo. E então construíram uma casa. E se a gente abre a porta, a nuvem entra, pra quando te der saudades. Você não poderia ter encontrado pais melhores. 

Estamos todos à sua espera. 

Com lágrimas de amor,
tia Lu

terça-feira, 16 de julho de 2013

Às ruas

O assunto agora é sério. Não se assuste quando a tia falar assim; é só um começo que faz as pessoas prestarem mais atenção. O mundo está mudando, Camille. Todos os dias. Mas nesses últimos parece que as mudanças são maiores. As ruas de todo o Brasil se encheram de gente. Não é carnaval nem final de Copa do Mundo; não fomos à rua comemorar diversões. Fomos gritar contra as tantas injustiças cometidas por aqueles deveriam estar cuidando desse país.  Tem muita gente no governo que esqueceu disso, outra que eu acho que nunca chegou a lembrar. Mas fomos lá, enchemos avenidas, para lembrá-los e a todos nós também. Vivemos num país com tantos casos de corrupção que isso já não deixa ninguém de boca aberta, e tem coisas que a gente nunca pode se acostumar. O que começou como um protesto para acabar com o aumento das passagens de ônibus fez explodir a indignação com as péssimas condições do transporte público, com as más amizades entre políticos e empresários, com a saúde pública que anda muito doente, com um espanador da prefeitura que derruba casas de pessoas pobres porque a área onde elas moravam se tornou mais importante, com a fumaça que a polícia sopra nas manifestações e não deixa ninguém respirar direito ou as balas de borracha que machucam mais, com essa ação que se torna ainda mais violenta onde se tem menos dinheiro. Essas e muitas outras insatisfações ganharam corpo nesses tempos. Talvez as ruas voltem às suas rotinas, mas alguma coisa já não é mais como antes. O mundo está pedindo mudanças, Camille, e nós fazemos parte disso.

Com amor,
tia Lu

sábado, 25 de maio de 2013

Estradas

Um dia, sua mãe subiu a serra para estudar numa faculdade. Encontrou por lá muitos números, cálculos, amigos e um amor. Dessa equação, surgiu você. E desde essa época as estradas fazem parte da vida dos seus pais. Rodovias e alamedas pra ver o vô e a vó, de cá e de lá, pontes para ir e voltar do trabalho, outra serra pra chegar em casa, mapas pra rodar pelo mundo. A verdade é que essa cisma pelas estradas é de família. Cada um pegou um ônibus e foi parar num lugar diferente. Nunca vi um povo gostar tanto de colocar  a mochila nas costas e - o mais curioso - encontrar outra gente assim também. E nesses encontros, a família foi ficando maior, e a gente arrumando mais uma desculpa pra viajar por aí. O duro de cada um estar em um cantinho é que dá uma saudade danada. Mas tem uma coisa que não deixa distância nenhuma ser grande: é o amor. É isso que nos mantêm unidos, pelas tantas estradas que nos ligam.

Com amor,
tia Lu

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Cores

Quando ainda tínhamos espinha no rosto e hora pra voltar pra casa, chegamos do colégio e o nosso doce lar estava pintado de laranja. As paredes descascando já pediam uma reforma, e seu avô, um exemplo de discrição, resolveu experimentar uma cor nova - mas um laranja bonito, como o do vizinho, que ele tinha gostado muito. O povo todo torceu o nariz, e é com constrangimento que digo isso, mas eu também. Nosso pai foi injustamente condenado até o tempo amenizar a força do laranja. Mas sua tia cresceu (um pouquinho) e acabou foi mordendo a língua. Descobri o que nosso pai já tinha descoberto naquela época - que a vida em preto e branco só fica bonita nas fotos. E na casa do seu tio Tatá e do seu tio Vini, mas nada contra se eles acrescentassem mais corzinha por lá. E descobrindo isso, descobri pincéis, corantes, misturas, tons que eu nunca tinha visto antes e que resolvia experimentar em algum móvel. E se não gostasse, que viesse então o próximo candidato. A piada foi que meu armário cresceu com as tantas camadas de tinha que recebeu. Mas a casa ficou sorridente, como são os dias de sol. Me disseram que seu quarto está ficando pronto, e quarto da gente é como a casa da gente - nele a gente pode o mundo. Pois então, se um dia quiser descobrir pincéis, a gente faz uma bagunça por lá! Ah, já estava quase me esquecendo: cheguei em casa ontem e a porta de entrada estava laranja! Seu avô esteve por aqui. Agora eu que fico sorridente toda vez que chego.

Com amor,
tia Lu

terça-feira, 14 de maio de 2013

Presente de dia das mães

Esse domingo que passou comemoramos o dia das mães. As mães são seres incríveis, dramáticos, médiuns, fortes, sábios, coercitivos, delicados e surpreendentes. O que dizem essas palavras você irá aprender ao longo da vida e acrescentar muitas outras nessa frase. E no domingo sua avó ganhou um presentão. Acordei com as gargalhadas frouxas e já quase sem fôlego dos seus pais, que tentavam convidá-la para o casamento. Da última vez, a vovó tinha ficado fula da vida por não ter participado (foram só os dois mesmo) e fez todo mundo prometer que isso não aconteceria de novo. Ué, mas então eles iam casar mais uma vez? É o que seus pais tentavam explicar entre risos e soluços. O contrato era de união estável, agora eles iam formalizar o estar junto de outro jeito. Depois de se conhecerem, namorarem, ficarem noivos, serem unidos estavelmente, trabalharem muito, juntarem dinheiro, comprarem um terreno, construírem uma casa, morarem nela, encomendarem você, iriam, até que enfim, casar. E dessa vez sua avó seria a convidada. E a testemunha. E a mãe do noivo. E a sogra da noiva. E a madrinha. E, pra fazer um agrado, podia também pagar o jantar de comemoração, mas sobre isso acho que eles vão falar um outro dia. Isso é que é levar a sério um pedido de mãe!

Com amor,
tia Lu 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Seu nome


Agora já sabemos como você irá se chamar. E cá entre nós duas, eu soube antes de todo mundo – ah, não leve a sério essas vaidades, coisa de tia coruja. Mas isso deve ser por causa dessa história de contar histórias pra você.  Pra você, Camille (com dois "l"s, como seu pai corrigiu). Em breve você vai ouvir tanta gente chamar pelo seu nome que pode parecer que ele existiu desde sempre. Mas na verdade foi escolhido, entre tantos outros nomes, com muito carinho. Um nome delicado, que viajou pra chegar até aqui, que diz de alguém com habilidade para liderança, para conduzir boas ações, que dá importância à família e se preocupa com as pessoas. Foi o significado que seus pais me disseram, mas acho que essa descrição que tem muito a ver com eles e com as coisas que têm pra te ensinar. Seus pais são pessoas maravilhosas que irão te ajudar a seguir pelos melhores caminhos, nesse processo tão bonito que é o educar. 

Com amor,
tia Lu

sábado, 4 de maio de 2013

Abóbora e biscoito


O pessoal dessa família adora cuidar. E um jeito deles fazerem isso é se preocupando bastante com a nossa alimentação. “Você tem se alimentado direito?” é uma pergunta que vamos ter que responder pra sempre, não importa a idade que tenha. Mas até uma certa idade, o controle é mais de perto. E a vó Taí não dá moleza quando o assunto é esse. Tem uma história que seu pai vai te contar quando você estiver maiorzinha, de uma combinação nós dois fizemos de beber uma coca-cola escondido (porque só podia fim de semana e de vez em quando). Mas se ele achar melhor não te contar, me lembre que eu te conto, escondido. Com a vó Taí, é comida caseira, feijão, beterraba, alface, abóbora - disfarçada no feijão, pra quem não gosta comer mesmo assim.  Truques importantes que damos razão quando crescemos. Aí entra o vovô Gil, com jujuba, chocolate, doce de leite, paçoca. Itens importantes que damos razão desde que somos pequenos. Outro dia o vô veio aqui em casa e quando ele vem já posso contar com o biscoito de chocolate no armário e o sorvete no congelador. Ah, e também apareceram mamão, maçã e laranja na fruteira – adivinha a pedido de quem.

Com amor,
tia Lu

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Brinquedos


Nesse fim de semana recebemos a visita de três princesas: Cinderela, Branca de Neve e Rapunzel. Também conhecidas como Ana Beatriz, Ana Luiza e Ana Clara. São suas primas, filhas do Carlinho e da Suely. A Bia e Lulu são igualzinhas: quando ainda estavam na barriga, cresceram ao mesmo tempo e foram feitas na mesma fôrma. Mas cada uma tem seu jeitinho. E a Aninha, como a mais velha, entra pra ajudar quando as irmãs brigam pelo mesmo brinquedo. Tem pra todo mundo, ela diz. E é verdade. Tudo na mão de vocês vira brinquedo: o elefantinho que enfeita a sala, o galo que muda de cor quando tá pra chover, o porta retrato, a mini torre eiffel que alguém trouxe de lembrança. Mas eu gostei mesmo da caixa que as priminhas tinham na casa do tio Itamar e da tia Palmira, cheia de potinhos vazios, tampas de plástico, peças soltas e mais um tanto de sucata e bugiganga. Ali, dava pra se distrair uma tarde toda. Depois disso, fiquei pensando: não sei pra que tanta loja de brinquedo, se já tem tanto brinquedo no mundo.

Com amor,
tia Lu

Lições


Dias atrás recebi uma ligação com a notícia que esperávamos desde daquele domingo de páscoa: você é uma menina. Outro chororô ! E se fosse menino, o povo aqui ia se emocionar do mesmo jeito. É que cada novidade sobre você nos enche de alegria. Aí contei pruma amiga minha, a Fefê, que já tem experiência nessa história de ser tia. Ela perguntou se eu ia comprar seu lacinho rosa. E sabe o que eu imaginei? O lacinho rosa prendendo seu cabelo pra não ficar caindo no rosto enquanto a gente planta bananeira na parede. E vira estrela. A tia vai te ensinar isso tudo.

Com amor,
tia Lu

O começo


Deixa eu te contar como foi que te conheci. Era um domingo de manhã – domingo de páscoa, que a gente já levanta da cama comendo chocolate. Abri os olhos com seu pai me dizendo: acorda pra gente tomar café junto, tenho uma mensagem pra ler. Foi aí que eu soube de você, antes mesmo do café, antes ainda da mensagem. Fiquei quietinha pra não estragar a surpresa, porque não tem coisa melhor nesse mundo que a chegada de uma notícia boa. E com todo mundo em volta da mesa  (e o todo mundo desse dia éramos eu, sua avó, seu avô, sua bisa),  o Bruno e a Helô  pegaram o celular e leram a mensagem: era sua, avisando que estava a caminho. Aí foi um chororô danado. Por aqui, a gente também chora quando está alegre, porque às vezes a alegria é tão grande que transborda. A gente transbordava a cada vez que seus pais contavam de novo da sua chegada, para o todo mundo que faltava ali na mesa. Sua mensagem foi alcançando nossa família e espalhada entre os amigos, que também transbordaram de alegria. Seus pais contaram que já puderam te ver pelos exames, que você abriu as mãozinhas, que seu coração bate ligeiro. Você está trabalhando bastante por aí, já deu pra perceber. E deve ser por isso que é só encostar na cama que sua mãe dorme – vocês também precisam descansar, não é isso? Trabalhe, descanse, aproveite o aconchego,  fique tranquila (o). Daqui a pouco estaremos abrindo os ovos de páscoa num domingo de manhã. E esse foi o começo que eu lembro, mas se você perguntar por aí cada um vai contar de um jeito e lembrar de mais alguma coisa. Porque a vida é assim mesmo: cheia de começos e histórias, que a gente vai ouvindo diferente quando contada por cada um.

Com amor,
tia Lu