terça-feira, 16 de dezembro de 2014

"Bêchos"

Estava outro dia com sua vó no telefone ouvindo e contando sobre suas peripécias. E de repente a voz dela ficou séria, e se estivéssemos num filme começaria a chover na janela ao som de um piano melancólico. Pronto, ela se desculpava antes mesmo de se confessar: nunca mais faria isso. Isso o que, mãe? E o piano ao fundo viraria um violino arranhado em suspense. Silêncio. E depois: nunca mais dou uma chinelada num bicho na frente da Camille, nunca vi ela tão triste. Eu, seu pai e seu tio Tatá passamos quase a vida toda, até chegar a hora de arrumar as malas e descobrir novos horizontes, morando numa casa com quintal. Por lá já passaram cachorro, gato, passarinho, largartixa, calango, borboleta, mariposa e não faz muito tempo sua avó adotou uma gambá de estimação, que ia toda noite dormir num cantinho do muro. Na grama viviam todo tipo de insetos, que às vezes entravam na casa e acabavam ganhando uma chinelada-passaporte pro céu dos bichinhos. O seu primeiro berço foi também numa casa com quintal, com vizinhos barulhentos que latem sem parar quando a gente se aproxima. E é disso que você gosta: dos bichos vivos, barulhentos, soltos pra irem e virem naquele correr louco. Os au aus (uma das primeiras palavras que você falou, porque o som também pode ser palavra) de cidade grande são dóceis, quietos, se aproximam numa curiosidade contida e você os olha com uma seriedade infinita, porque já aprendeu sobre a importância e o respeito pelos bichos. Mas todos temos a impressão de que você espera o latido que nunca vem, e então seu pai e sua mãe visitam a casa com quintal e de novo você encontra a vida ali, agitada, com os vizinhos que latem e os visitantes que escalam paredes, direto da história da casinha infestada de cupim. O Bruno contou que a sua esperança quando conheceu a lagartixa era que ela olhasse pra você, olhasse pra você e fizesse uma careta. As lagartixas são tímidas, mas tem lá o seu encanto (até uma lesma gigantesca que morava perto das flores tinha seu encanto; outra adoção singular na nossa família: a Helô apresentava a todo mundo, chamava-se Gary). Seus pais contaram que num desses fins de semana você foi visitar os vôs, naquela casa com quintal que povoou nossa infância. Também temos por lá nossos vizinhos barulhentos: dessa vez um galo desregulado que canta às duas da madruga. E às três e meia, sete, cochila até uma quatro da tarde (afinal, quem aguenta ficar acordado de manhã sem dormir à noite, fora seus pais?) e volta à cantoria até escurecer. Essa foi a novidade do fim de semana. E junto com o galo, você acordou e cantou a noite toda essa música de cidade pequena. Isso tudo faz a gente se lembrar de uma pessoa iluminada que, como você, adorava os bichos e entendia a sua língua. O mundo dela era tão grande que a casa com quintal foi um punhado de cercas, mas ainda assim ela descobria a voz da natureza nesses pequenos encontros como as suas descobertas. Contava histórias dos bichos e da terra, porque soube ouvir cada um deles com atenção. A vovó Iria tá lá, cuidando dos bichos do céu, e vez ou outra, nessas horas que você se encanta, ela vem ficar pertinho.

Com muito amor e uma saudade,
tia Lu

domingo, 26 de outubro de 2014

Cantarolices

Preciso lhe contar uma coisa. Antes de você chegar, eu já era tia. E ganhei esse título do jeito mais bacana de todos: fui adotada por uma sobrinha. Isso aconteceu num dos dias em que seu pai e sua mãe celebravam a união, juntando a família num casarão antigo com jardim no fundo e restaurante de filme. Eu e a Lili, sua prima, descobrimos lá no cantinho um piano de calda. Sentamos com a elegância de duas musicistas famosas e ela se arriscou a me ensinar algumas notas. Foi a sinfonia mais linda e desafinada que aquele salão já assistiu (linda por conta da Lili, desafinada por causa do garçom que me desconcentrou). Você, que ainda estava dentro da barriga da Helô, ficou ouvindo tudo. Foi aí que eu ganhei uma sobrinha e também aí que você começou a dançar. É impressionante como você gosta de música: não importa o que esteja fazendo, quando alguém canta, quando passa a propaganda com o tema do desenho, quando alguém aperta o brinquedinho que toca, você pára tudo e começa a dançar. E nós, que já havíamos esquecido como fazia, voltamos a chacoalhar o esqueleto, improvisar letras, tirar poeira daquele instrumento perdido, cantarolar melodias. Toda vez que volto de algum de nossos encontros me pego distraída cantarolando as peripécias da dona aranha, da casa infestada de cupim, do gato, coitado, que berrou por causa de uma travessura das brabas. A vida com você é assim: muito mais cantarolante. 

Com um amor rico rico rico de marré-de-si,
tia Lu

obs: esse texto era uma encomenda pra eu contasse dos seus dentinhos nervosos que às vezes deixam marcas na gente (e deixou na bochecha irresistível da Lili), mas acabei lembrando dessa outra historinha que furou a fila e entrou na frente. Mas deixo aqui um pedido: guarde os dentinhos pra mostrar nos seus sorrisos lindos e pra picotar os biscoitos, tenha dó da gente! Dó maior.

domingo, 10 de agosto de 2014

Pais

A história que mais tenho contado ultimamente é que você faz o rugido do leão mais assustador e lindo do mundo todo. Às vezes tenho a impressão de que estão acabando as pessoas que ainda não ouviram, e então repito descaradamente para aquelas que já até imitam o leão junto com você. A tia tá uma chata de galocha e boba de orgulho, mas quem se enche ainda mais é aquele que magistralmente te ensinou essa proeza: seu pai. Nunca encontrei uma pessoa tão cansada, gripada e feliz como ele. Se as horas de madrugada nas idas e vindas pra te fazer dormir (e do ir trabalhar como se a noite tivesse sido de rei) lhe cavam olheiras no rosto, é só falar de você ou te encontrar que um sorriso brota na mesma hora. Esse moço do coração de ouro tem tanta coisa boa pra te ensinar, Camille, e tanto amor que mal cabe nele. Mas essas coisas todas também aprendemos com outro grande mestre, que a cada passo de nossas vidas esteve ali, dando força pra seguir adiante e exemplos para que nos tornássemos pessoas melhores. Ele também já andou te ensinando algumas coisas, mais histórias que não canso de repetir. A esses grandes mestres, que nos ensinaram a fazer narizinho, leão, engatinhar e caminhar com nossas próprias pernas, todo o nosso amor e gratidão. A eles, um feliz dia dos pais, com direito à caneca assinada pela mais nova artista no pedaço, pra tomar café amanhã e não cochilar no trabalho :)

Com amor,
da filha, irmã e
tia Lu

domingo, 8 de junho de 2014

Descuidos

A vida do outro esbarra na nossa a todo tempo: nas calçadas, no sinal fechado, no espelho do elevador, no vão que separa os apartamentos. Espaços que nos dividem e que dividem com a gente um pedacinho do outro. Na minha cozinha chegam muitos desses pedacinhos em conversas que o vento traz entre os vidros da janela. Adoro ouvir a vizinha de cima cantando sambas antigos, com a voz rouca de um cigarro que ela jura que não fuma mais. Não gostava quando o casal ao lado entrava numa briga: eram desentendimentos que me traziam angústia. E hoje, na portaria, encontrei uma outra vizinha que me repartiu a melhor das notícias: sua saúde andou pisando em gravetos, numa fragilidade preocupante, mas os sustos tinham passado. Havia adoecido por causa do estresse. E esse mesmo estresse era um dos seus pedacinhos que me chegavam pelo vidro da cozinha, numa voz impaciente que pedia ao filho "silêncio!" . Tive vontade de lhe falar que ela passara pelo mais difícil, que nada mais lhe derrubaria, que aproveitasse a nova fase para curtir o que tanto temia perder. Mas esse esbarrar da vida, por ser sempre pedaço e nem sempre consentido, pede de nós uma delicadeza sobre o que dizer. Estava feliz por ela estar bem, e por isso sorrimos e isso já foi tudo. Mas fui embora pensando no quanto o estresse é um bicho danado. Às vezes ele, junto com os problemas, as horas pouco dormidas, as chateações que nos apertam as sobrancelhas, deixa a vida muito cansada . É como uma sombra que, de cada coisa, vai tirando a sua luz. Tem dias que escapar disso é um desafio sem tamanho. Por isso a gente precisa lembrar sempre dos nossos lugares de respirar, aqueles intervalos que ajudam a descobrir de novo o gosto das coisas, o gosto bom. A vida, minha sobrinha, tem suas alegrias no miúdo, nas "horinhas de descuido", como disse o mais sábio de nós. O estresse pé grande não percebe isso, sorte nossa. Cuidemos apenas para não calar o que nos faz bem.

Com um amor infinito e miúdo,
tia Lu

domingo, 4 de maio de 2014

Amizade

A coisa mais importante dessa vida são os laços de amor. Às vezes acontece de já chegarmos num ninho todo emaranhado deles - a família. Depois vamos alçando voos cada vez maiores e descobrindo um mundo comprido a perder de vista. Dá até um frio na barriga. Mas a vida vai cuidando de nos aproximar de novo daqueles laços, nos dizendo que eles também estão espalhados pelo mundo comprido, que nos ajudarão a dar os nós pra gente não cair, que podem se transformar em rede pra acalentar num balanço e, conforme o tempo passa, tomam a forma de lindos bordados: isso é a amizade. Quando a gente constrói um laço desses, deixa algo no outro e leva algo com a gente que nunca mais se desfaz. A tia aqui deu uma sorte danada de ser presenteada com muitos desses encontros, alguns que penso terem sido construídos num tempo que nem cabe nesse nosso calendário. Assim foi com a amiga Helena, que anda devagar porque já teve pressa e agora leva esse sorriso porque espera a Bia. Que a Bia, como você, possa chegar nesse ninho quentinho todo emaranhado de amor, e que alce voos lindos, cheios de bons encontros. 

Com muito amor,
da tia que será tia de novo
Lu

sábado, 3 de maio de 2014

Soninho

A tia anda cheia de texto entalado, nesses dias corridos que fazem a gente engolir as ideias sem mastigar. E a escrita na maioria das vezes me pede o contrário: pede calma. Então depois dos dias corridos da semana e das horas descansadas de uma soneca sem despertador, acordei nesse sábado de manhã pra escrever pra você. Eu ouço dizer que a primeira coisa que você faz quando acorda é sorrir, e eu, como a dorminhoca número 1 da família, entendo e compartilho esse bom-humor. Mas o dormir pra você (e seus pais e avós) não é tarefa fácil. Me contaram histórias de que, quando era miudinha como você, conseguia fazer minha mãe cochilar no berço de tão cansada e eu ainda de olhinhos de bola de gude abertos como nunca. Devia ser a vontade transbordante de conhecer as tantas coisas novas desse mundo. E essa vontade vejo em você o tempo todo, na atenção em tudo que se passa, na curiosidade da qual tanto já falei. É tão bacana olhar a vida chegando, inquieta, agitada, cheia de energia. Eu sei que você tem muito o que fazer aqui, mas meu conselho de tia madrinha de consagração (agora ganhei mais um nome) é que não fique tão chateada porque é preciso descansar. Aproveite também essa parte, você já descobriu que ela também é uma delícia. E tenha calma: o tempo está a seu favor, e quando não estiver, sempre existem os sábados pela manhã.

Com muito amor,
tia Lu

Amor e merthiolate

Quando seu tio Tatá era pequetito resolveu escalar o fogão da vovó. A sorte é que na medida que ele abriu o forno encontrou lá um cantinho seguro quando o fogão virou. Panela por todos os lados e criança intacta, em mais uma missão dos Anjos Protetores dos Miudinhos Encapetados. Eles também me salvaram quando escalei a pia e cai de lá abraçada com o filtro de barro. Quando crescemos, seu pai nos carregou  pra aprender a fazer essas coisas com mais segurança: corda, boldrie, magnésio, mosquetão, e então começamos a escalar pedras e seu avô Gil sentiu falta da época dos fogões e filtros de barro. Aí nas conversas de família fui descobrindo que tínhamos um dom natural pra coisa: seu tio Vini, recém nascido, ficou pendurado no cano do chuveirinho quando escapuliu dos braços da Dinda e o seu tio Gui, com 3 meses, fez um rapel pelo fio do telefone pra descer da cama. Éramos atletas completos, mestres também nas artes marciais. A Pri deu um chute certeiro na boca do Tatá, que adiantou o fim dos dentes de leite. Usávamos o roupão de banho dos nossos pais pra servir de quimono e um colchão velho pra ser o tatame, e Maria Mutola (meu nome do judô, batizado pelo Thiago, e depois a gente foi descobrir que ela era uma corredora, mas eu já achava esse nome o máximo) foi bicampeã mundial nos campeonatos residenciais. Seu pai adorava uma trilha com bicicleta, às vezes com cachorros raivosos, e seu tio foi o primeiro a fazer Down hill em Miracema, mas por falhas técnicas acabou com o braço quebrado e com a janela de uma casa. Saltos ornamentais na piscina da AABB? Nota: 10. Eu teria mais uma lista incrível de habilidades nossas pra te contar, como uma peculiar experimentação degustativa e culinária, incluindo antimofos, Harpic aroma Lavanda (história apenas mencionada, que me fizeram prometer deixar fora do blog, rs), facas de cozinha e cegueiras temporárias, mas vou ficar por aqui. E nada disso aconteceu porque nossos pais ou os adultos que nos cuidavam foram negligentes. Aconteceu porque fazia parte. Uma vez eu estava conversando com uma mãe quando, toda orgulhosa, me disse que seu filho nunca havia se machucado. Nunca? - eu perguntei. Nunca, ela respondeu. Me assustei e não consegui imaginar uma criança mais triste. Nós te amamos tanto que estaremos sempre do seu lado, com um merthiolate que não arde (a melhor invenção depois da anestesia) a postos.

Com amor e band-aid,
tia Lu

terça-feira, 11 de março de 2014

Superfícies

Você está a cada dia mais linda. E também a cada dia mais curiosa com o mundo. Agora, não basta alcançar as coisas com seus olhinhos vivos – é preciso tocá-las. Te peguei no colo e vieram duas mãozinhas pra descobrir meu rosto: uma achou a bochecha e outra quase torceu meu nariz. Agarraram a gola da blusa, uma mecha do cabelo, o anel que descansava no dedo. Seus pesinhos de bailarina agitam-se a todo tempo, esticam, fazem ponta, levantam, ameaçam pirraça, até encontrarem algo pra descobrir. E aí – eu descobri – você se distrai nessas descobertas. O Bruno e a Helô te despertam sorrisos numa facilidade incrível: uma careta, um barulhinho, uma frase doce e lá está você, mostrando os dentes que ainda não tem. Eu ainda preciso de artimanhas de circo pra conseguir esses resultados, mas você me contou da sua curiosidade. Fomos então descobrir o quarto e o universo de coisas por lá: a maçaneta fria do guarda-roupa, o tecido furadinho do tapa-mosquito, a caixinha de papelão do cotonete, a cestinha acolchoada que fica na cômoda e tudo que tinha dentro dela. Uma angústia danada quando você tentava mas não conseguia pinçar o que estava lá, até ir descobrindo que cada coisa te pedia um jeito diferente, que às vezes a mão precisava estar mais fechadinha, às vezes mais aberta, às vezes ser com mais delicadeza, noutras com mais força. E depois você soltava, deixava ir. E eu que às vezes não quero deixar as coisas irem, fui aprendendo com você. Às vezes o que a gente precisa é abrir as mãos e confiar um pouco mais no mundo. Porque ele, como você também me ensinou, é cheio de descobertas.

Com amor,
tia Lu

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Biquini de bolinha

Não é o sapato novo, o livro que a tia mais gostou de ler, o doce que pela primeira vez deu certo, o sofá que já tá de outra cor, a parede cheia de foto, a mudança na sala ou o que continua do mesmo jeito. Toda vez que alguém chega aqui em casa o que eu quero mostrar é essa toquinha rosa e a calcinha de bolinha. Pra mocinha mais linda e seu primeiro verão!

Com amor,
tia Lu

sábado, 18 de janeiro de 2014

Sorrisos

Enquanto a tia se queixava do pouco tempo com você no colo, seu pai se queixava do tempo demais que ela não publicava historinhas aqui. Aí sua mãe, abrindo um sorriso, perguntou se poderia sugerir um tema: os sorrisos que você anda nos dando de presente. Um dos maiores desafios das palavras é chegar o mais pertinho possível de um afeto, pra ouvir com atenção, como segredo sussurrado, qual delas fica combinando mais. Às vezes o afeto é tão tão que não cabe em palavra nenhuma. A alegria é desses tipos: a gente não fala, sorri. Depois é só esperar - como um contágio, ela se espalha. E quando a gente vê seu sorriso é assim, fica que nem bobo, distribuindo outros tantos. Eu gosto muito de perceber os sorrisos distraídos, aqueles tais que a gente deixa escapar. Você sorri quando acorda, a Helô quando te olha dormir, o Bruno quando brinca com seus pezinhos e eu quando ouço seus pais inventarem frases e histórias pra conversar com você. Dizem que essa é a curva mais bonita do corpo da gente, e eu acho que é mesmo.

Com amor,
tia Lu

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Colinhos

A tia aqui andou se queixando que tinha ficado pouco tempo com você no colo. Pronto: no fim de semana que passou, ganhei dois beijos, um café da manhã, cinco bichinhos coloridos, quatro que tocam música, outras três estratégias pras suas horas de agudo de ópera, e seu pai finalmente foi ao supermercado e sua mãe finalmente fechou os olhos por vinte minutos inteiros (coisas que eles não faziam a um tempão). Aí ficamos nós duas, eu e você. E eu ainda sou muito desajeitada, mas você tem uma paciência danada comigo. Quando eu ia te pegar, te acomodar, te virar você sentia e ia junto, com o que já descobriu e já consegue sustentar do seu corpo. Mas tem uma coisa que deixa seu pavio curto, como diz o vô Gil. E isso é não poder olhar o mundo ao seu redor. Eu me lembro que quando seu pai te apresentou pela primeira vez, atrás do vidro do berçário, você abriu dois olhos enormes pra conhecer a gente, e desde então eles percorrem tudo quanto é coisa por aqui. Aí se a gente te carrega mais deitadinha, pronto, você enguiça. Tem que ser de um jeito que os dois olhinhos vivos possam estar lá, estudando, admirando, conhecendo, observando. Te levei um cadinho lá fora e a gente viu o sol, as plantinhas verdes, aquela que a gente assopra e ela sai voando com o vento (tinha um monte no quintal). Mas aí o braço da tia precisou descansar e os dois minutinhos de descanso no sofá acordaram aquele seu agudo de ópera. Tentei te acalmar de tudo quanto é jeito, mas não teve. Fomos atrás da Helô, e nos braços dela tem um sossego que chega na hora. O Bruno também te segura num redondinho do braço que parece de rede. No colo dos vôs é uma graça: nem precisa de muita conversa, não demora e você cai no sono. Uma vez li um texto muito bonitinho que dizia da sensibilidade das plantas. Como tinham suas raízes presas ao chão, elas aprenderam a se espalhar com o vento e a convidar os outros seres para se aproximar e levá-las ao mundo. Imagino esses colinhos todos te aproximando do mundo, das coisas que tem lá fora, das tantas que tem por aí e do carinho que tem aqui, dentro da gente.

obs: você está com 5 kg! a tia aqui já dobrou as aulas de yoga, vamos ver se da próxima vez te carrego mais!

Com amor,
tia Lu