quinta-feira, 16 de maio de 2013

Cores

Quando ainda tínhamos espinha no rosto e hora pra voltar pra casa, chegamos do colégio e o nosso doce lar estava pintado de laranja. As paredes descascando já pediam uma reforma, e seu avô, um exemplo de discrição, resolveu experimentar uma cor nova - mas um laranja bonito, como o do vizinho, que ele tinha gostado muito. O povo todo torceu o nariz, e é com constrangimento que digo isso, mas eu também. Nosso pai foi injustamente condenado até o tempo amenizar a força do laranja. Mas sua tia cresceu (um pouquinho) e acabou foi mordendo a língua. Descobri o que nosso pai já tinha descoberto naquela época - que a vida em preto e branco só fica bonita nas fotos. E na casa do seu tio Tatá e do seu tio Vini, mas nada contra se eles acrescentassem mais corzinha por lá. E descobrindo isso, descobri pincéis, corantes, misturas, tons que eu nunca tinha visto antes e que resolvia experimentar em algum móvel. E se não gostasse, que viesse então o próximo candidato. A piada foi que meu armário cresceu com as tantas camadas de tinha que recebeu. Mas a casa ficou sorridente, como são os dias de sol. Me disseram que seu quarto está ficando pronto, e quarto da gente é como a casa da gente - nele a gente pode o mundo. Pois então, se um dia quiser descobrir pincéis, a gente faz uma bagunça por lá! Ah, já estava quase me esquecendo: cheguei em casa ontem e a porta de entrada estava laranja! Seu avô esteve por aqui. Agora eu que fico sorridente toda vez que chego.

Com amor,
tia Lu

Um comentário:

  1. Muito lindinha a casinha de bonecas da Luluzinha, cada móvel de uma cor! Até o dia que virou adulta e tudo ficou meio marronzinho...bom saber que as cores vão e vem, como os sorrisos e os dias de Sol!
    A querida Camille é mesmo muito sortuda, com tanta gente linda ao seu redor!
    beijinhos

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