Um dia, sua mãe subiu a serra para estudar numa faculdade. Encontrou por lá muitos números, cálculos, amigos e um amor. Dessa equação, surgiu você. E desde essa época as estradas fazem parte da vida dos seus pais. Rodovias e alamedas pra ver o vô e a vó, de cá e de lá, pontes para ir e voltar do trabalho, outra serra pra chegar em casa, mapas pra rodar pelo mundo. A verdade é que essa cisma pelas estradas é de família. Cada um pegou um ônibus e foi parar num lugar diferente. Nunca vi um povo gostar tanto de colocar a mochila nas costas e - o mais curioso - encontrar outra gente assim também. E nesses encontros, a família foi ficando maior, e a gente arrumando mais uma desculpa pra viajar por aí. O duro de cada um estar em um cantinho é que dá uma saudade danada. Mas tem uma coisa que não deixa distância nenhuma ser grande: é o amor. É isso que nos mantêm unidos, pelas tantas estradas que nos ligam.
Com amor,
tia Lu
É isso minha querida Camille... Vivemos na estrada desde que nos conhecemos. Em algum momento, a sua mãe decidiu estudar na UERJ em Nova Friburgo - que sorte a minha né! - pois é, foi lá que estudamos Engenharia e acabamos nos conhecendo em 2001 num churrasco com a turma da faculdade. Ficávamos juntos a semana toda e nos finais de semana ela voltava pra casa da sua vó em Niterói. Em 2004, mamãe foi aprovada num processo seletivo de estágio na GE Celma em Petrópolis e a vida nas estradas passou a ser ainda mais intensa. Aí, foi papai que passou a ir pra Petrópolis nos finais de semana para poupar um pouco a mamãe que, nessa época, estagiava em Petrópolis, estudava em Friburgo e morava em Niterói. O tempo passou, nos formamos em 2005 e papai foi morar no Rio de Janeiro pra trabalhar na FMC (nessa época mamãe morava com a vovó em Niterói). Em 2006, felizmente voltamos a trabalhar juntos. Algum tempo depois, mamãe foi a Engenheira da FMC selecionada para trabalhar no projeto do primeiro separador submarino de água e óleo do mundo (que orgulho, né! - um dia ela vai te explicar o que é isso). Durante esse projeto, ela foi morar na Noruega e as distâncias ficaram ainda maiores. Sempre que ia levá-la e buscá-la no aeroporto, ficava lembrando das vezes que a deixava na rodoviária (com o coração partido) quando ela ia pra Petrópolis e papai pegava a moto e ia atrás do ônibus em busca de um último adeus. Felizmente, a saudade dos dias longe só serviram para alimentar ainda mais o amor que temos um pelo outro. E a cada reencontro, o seu sorriso (da sua mãe) e o brilho nos olhinhos faziam com que ficássemos ainda mais apaixonados... O fato é que essa vida intensa nas estradas e nos aeroportos, nos fez entender que o mundo não é assim tão grande quanto parece, porém tem uma diversidade cultural muito maior do que aprendemos na escola... Isso não adianta te contar, é preciso que vc mesmo experimente... Pelos seus 'chutinhos' já deu pra perceber que vc gostou da sua primeira grande viagem ainda na barriga da mamãe (que fizemos para fazer o seu enxoval)... E para te inspirar nas suas viagens, procure ler alguns dos livros de Amyr Klink. Ele diz que... "um homem precisa viajar por sua conta, não por meio de historias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e seus pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sobre o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores ou doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir e ver..."
ResponderExcluirGrande beijo desse pai que te ama muito