Camille, você está quase chegando. Aquela sementinha miúda que você foi um dia ganhou tanto espaço que quase já não cabe na barriga da mamãe. E de tanto crescer, foi ocupando, um a um, o coração de todos nós. Como pode a gente amar tanto alguém que ainda não conhece? Mas eu vou te contar um segredo: acho que a gente já se conhecia. Você morava numa dessas nuvens de algodão do céu de janeiro, e de lá passava o tempo espiando a vida por aqui. Tem muita gente que não sabe disso, mas as histórias que contamos flutuam como balões de ar e chegam até as nuvens. Aí um dia você cismou que queria vir. Você quis ouvir as histórias de perto, e pra nossa sorte, nos escolheu. Não teve anjo que te convencesse do contrário. Então foi chegando quietinha, e ali ao lado ficava, principalmente nos almoços de domingo onde todo mundo se reunia, porque nesse dia era um falatório só. A casa cheia e alegre. E numa dessas conversas, você escutou que já estava na hora dos velhotes serem avós. Pronto, era o que precisava: você ficaria por aqui. Mas ainda sentia uma falta danada de lá. Aí o Bruno e a Helô pegaram o carro, subiram, subiram, subiram até encontrar o lugar certo. E então construíram uma casa. E se a gente abre a porta, a nuvem entra, pra quando te der saudades. Você não poderia ter encontrado pais melhores.
Estamos todos à sua espera.
Com lágrimas de amor,
tia Lu
Eu, que aguardo uma nuvenzinha, deixei cair umas lágrimas aqui, viu, ao ler essa lindeza de reflexão!
ResponderExcluirObrigada por me fazer sempre pensar mais e mais delicadamente.
Te amo, amiga querida.
Ser tia é bom demais!
beijinhos da lena e da nuvenzinha