terça-feira, 16 de julho de 2013

Às ruas

O assunto agora é sério. Não se assuste quando a tia falar assim; é só um começo que faz as pessoas prestarem mais atenção. O mundo está mudando, Camille. Todos os dias. Mas nesses últimos parece que as mudanças são maiores. As ruas de todo o Brasil se encheram de gente. Não é carnaval nem final de Copa do Mundo; não fomos à rua comemorar diversões. Fomos gritar contra as tantas injustiças cometidas por aqueles deveriam estar cuidando desse país.  Tem muita gente no governo que esqueceu disso, outra que eu acho que nunca chegou a lembrar. Mas fomos lá, enchemos avenidas, para lembrá-los e a todos nós também. Vivemos num país com tantos casos de corrupção que isso já não deixa ninguém de boca aberta, e tem coisas que a gente nunca pode se acostumar. O que começou como um protesto para acabar com o aumento das passagens de ônibus fez explodir a indignação com as péssimas condições do transporte público, com as más amizades entre políticos e empresários, com a saúde pública que anda muito doente, com um espanador da prefeitura que derruba casas de pessoas pobres porque a área onde elas moravam se tornou mais importante, com a fumaça que a polícia sopra nas manifestações e não deixa ninguém respirar direito ou as balas de borracha que machucam mais, com essa ação que se torna ainda mais violenta onde se tem menos dinheiro. Essas e muitas outras insatisfações ganharam corpo nesses tempos. Talvez as ruas voltem às suas rotinas, mas alguma coisa já não é mais como antes. O mundo está pedindo mudanças, Camille, e nós fazemos parte disso.

Com amor,
tia Lu

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