quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Tempo

Pode ser amanhã, ou sexta, mas do fim de semana não passa, nos disseram. Você chega logo. Mas fique tranquila, Camille, o tempo é mesmo um mistério. Às vezes ele é um sopro, que quando se faz sentir aí então que já acabou. Às vezes um vento, que passa e movimenta o que estiver no caminho. Tem também aquelas em que ele encontra uma paisagem bonita, um banco de praça e resolve ficar parado, apreciando, enquanto tudo mais acontece. O tempo pode passar como um vagão atrasado de metrô ou pode durar a eternidade de uma noite de sono. E o mais incrível é que ele consegue fazer tudo isso caber em nós, porque cada coisa tem seu tempo. E quando for o seu, quando você sentir que for o seu tempo, pode chegar. E seja bem-vinda.

Com amor,
Tia Lu

obs: não deu tempo de publicar esse texto antes da sua chegada :) 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Nuvens

Camille, você está quase chegando. Aquela sementinha miúda que você foi um dia ganhou tanto espaço que quase já não cabe na barriga da mamãe. E de tanto crescer, foi ocupando, um a um, o coração de todos nós. Como pode a gente amar tanto alguém que ainda não conhece? Mas eu vou te contar um segredo: acho que a gente já se conhecia. Você morava numa dessas nuvens de algodão do céu de janeiro, e de lá passava o tempo espiando a vida por aqui. Tem muita gente que não sabe disso, mas as histórias que contamos flutuam como balões de ar e chegam até as nuvens. Aí um dia você cismou que queria vir. Você quis ouvir as histórias de perto, e pra nossa sorte, nos escolheu. Não teve anjo que te convencesse do contrário. Então foi chegando quietinha, e ali ao lado ficava, principalmente nos almoços de domingo onde todo mundo se reunia, porque nesse dia era um falatório só. A casa cheia e alegre. E numa dessas conversas, você escutou que já estava na hora dos velhotes serem avós. Pronto, era o que precisava: você ficaria por aqui. Mas ainda sentia uma falta danada de lá. Aí o Bruno e a Helô pegaram o carro, subiram, subiram, subiram até encontrar o lugar certo. E então construíram uma casa. E se a gente abre a porta, a nuvem entra, pra quando te der saudades. Você não poderia ter encontrado pais melhores. 

Estamos todos à sua espera. 

Com lágrimas de amor,
tia Lu