segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Biquini de bolinha

Não é o sapato novo, o livro que a tia mais gostou de ler, o doce que pela primeira vez deu certo, o sofá que já tá de outra cor, a parede cheia de foto, a mudança na sala ou o que continua do mesmo jeito. Toda vez que alguém chega aqui em casa o que eu quero mostrar é essa toquinha rosa e a calcinha de bolinha. Pra mocinha mais linda e seu primeiro verão!

Com amor,
tia Lu

sábado, 18 de janeiro de 2014

Sorrisos

Enquanto a tia se queixava do pouco tempo com você no colo, seu pai se queixava do tempo demais que ela não publicava historinhas aqui. Aí sua mãe, abrindo um sorriso, perguntou se poderia sugerir um tema: os sorrisos que você anda nos dando de presente. Um dos maiores desafios das palavras é chegar o mais pertinho possível de um afeto, pra ouvir com atenção, como segredo sussurrado, qual delas fica combinando mais. Às vezes o afeto é tão tão que não cabe em palavra nenhuma. A alegria é desses tipos: a gente não fala, sorri. Depois é só esperar - como um contágio, ela se espalha. E quando a gente vê seu sorriso é assim, fica que nem bobo, distribuindo outros tantos. Eu gosto muito de perceber os sorrisos distraídos, aqueles tais que a gente deixa escapar. Você sorri quando acorda, a Helô quando te olha dormir, o Bruno quando brinca com seus pezinhos e eu quando ouço seus pais inventarem frases e histórias pra conversar com você. Dizem que essa é a curva mais bonita do corpo da gente, e eu acho que é mesmo.

Com amor,
tia Lu

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Colinhos

A tia aqui andou se queixando que tinha ficado pouco tempo com você no colo. Pronto: no fim de semana que passou, ganhei dois beijos, um café da manhã, cinco bichinhos coloridos, quatro que tocam música, outras três estratégias pras suas horas de agudo de ópera, e seu pai finalmente foi ao supermercado e sua mãe finalmente fechou os olhos por vinte minutos inteiros (coisas que eles não faziam a um tempão). Aí ficamos nós duas, eu e você. E eu ainda sou muito desajeitada, mas você tem uma paciência danada comigo. Quando eu ia te pegar, te acomodar, te virar você sentia e ia junto, com o que já descobriu e já consegue sustentar do seu corpo. Mas tem uma coisa que deixa seu pavio curto, como diz o vô Gil. E isso é não poder olhar o mundo ao seu redor. Eu me lembro que quando seu pai te apresentou pela primeira vez, atrás do vidro do berçário, você abriu dois olhos enormes pra conhecer a gente, e desde então eles percorrem tudo quanto é coisa por aqui. Aí se a gente te carrega mais deitadinha, pronto, você enguiça. Tem que ser de um jeito que os dois olhinhos vivos possam estar lá, estudando, admirando, conhecendo, observando. Te levei um cadinho lá fora e a gente viu o sol, as plantinhas verdes, aquela que a gente assopra e ela sai voando com o vento (tinha um monte no quintal). Mas aí o braço da tia precisou descansar e os dois minutinhos de descanso no sofá acordaram aquele seu agudo de ópera. Tentei te acalmar de tudo quanto é jeito, mas não teve. Fomos atrás da Helô, e nos braços dela tem um sossego que chega na hora. O Bruno também te segura num redondinho do braço que parece de rede. No colo dos vôs é uma graça: nem precisa de muita conversa, não demora e você cai no sono. Uma vez li um texto muito bonitinho que dizia da sensibilidade das plantas. Como tinham suas raízes presas ao chão, elas aprenderam a se espalhar com o vento e a convidar os outros seres para se aproximar e levá-las ao mundo. Imagino esses colinhos todos te aproximando do mundo, das coisas que tem lá fora, das tantas que tem por aí e do carinho que tem aqui, dentro da gente.

obs: você está com 5 kg! a tia aqui já dobrou as aulas de yoga, vamos ver se da próxima vez te carrego mais!

Com amor,
tia Lu