Enquanto a tia se queixava do pouco tempo com você no colo, seu pai se queixava do tempo demais que ela não publicava historinhas aqui. Aí sua mãe, abrindo um sorriso, perguntou se poderia sugerir um tema: os sorrisos que você anda nos dando de presente. Um dos maiores desafios das palavras é chegar o mais pertinho possível de um afeto, pra ouvir com atenção, como segredo sussurrado, qual delas fica combinando mais. Às vezes o afeto é tão tão que não cabe em palavra nenhuma. A alegria é desses tipos: a gente não fala, sorri. Depois é só esperar - como um contágio, ela se espalha. E quando a gente vê seu sorriso é assim, fica que nem bobo, distribuindo outros tantos. Eu gosto muito de perceber os sorrisos distraídos, aqueles tais que a gente deixa escapar. Você sorri quando acorda, a Helô quando te olha dormir, o Bruno quando brinca com seus pezinhos e eu quando ouço seus pais inventarem frases e histórias pra conversar com você. Dizem que essa é a curva mais bonita do corpo da gente, e eu acho que é mesmo.
Com amor,
tia Lu
Com amor,
tia Lu
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